 oriental sob o comando de Roose Bolton. Robb
ordenara-lhe que prosseguisse a marcha para o sul, a fim de
defrontar o enorme exército Lannister que vinha para o norte
sob o comando de Lorde Tywin.
Para o bem ou para o mal, seu filho lançara os dados.

Jon

- Está bem, Snow? - perguntou Lorde Mormont, franzindo
as sobrancelhas. Bem", grasnou o corvo. "Bem."
- Estou, senhor - mentiu Jon... muito alto, como se isso
pudesse transformar a mentira em verdade. - E o senhor?
Mormont franziu a testa.
- Um morto tentou matar-me. Como poderia estar bem? -
coçou o queixo. Sua barba cinzenta tinha sido chamuscada
pelo fogo e ele a cortara. Os curtos pelos brancos de suas
novas suíças faziam-no parecer velho, pouco confiável e mal-
humorado. - Não parece estar bem. Como está sua mão?
- Vai sarando - Jon dobrou os dedos enfaixados para lhe
mostrar. Tinha se queimado mais do que supunha ao atirar as
cortinas em chamas, e a mão direita estava enfaixada com
seda até a metade do antebraço. Na hora nada sentira; a
agonia chegara mais tarde. A pele vermelha e fendida
segregou fluido, e borbulhas negras com um aspecto terrível
surgiram entre os dedos, grandes como baratas. - O meistre
diz que vou ficar com cicatrizes, mas fora isso a mão deve
ficar tão boa como era antes.
- Uma mão com cicatrizes não é nada, Na Muralha usará
luvas com frequência.
- É como diz, senhor - não eram as cicatrizes que
perturbavam Jon; era o resto, Meistre Aemon dera-lhe leite
da papoula, mas mesmo assim a dor fora terrível. A princípio
sentira como se a mão ainda estivesse em chamas, ardendo
dia e noite. Só mergulhá-la em bacias de neve e gelo moído lhe
dava algum alívio. Jon estava agradecido aos deuses por
ninguém, além de Fantasma, tê-lo visto se contorcer na cama,
choramingando de dor. Quando por fim dormiu, sonhou, e
isso foi ainda pior. No sonho, o cadáver com que lutara tinha
olhos azuis, mãos negras e o rosto do pai, mas não se atrevia a
contar isso a Mormont.
- Dywen e Hake regressaram ontem à noite - disse o Velho
Urso. - Não encontraram sinal algum do seu tio, tal como os
outros.
- Eu sei - Jon arrastara-se até a sala comum para jantar com
os amigos, e o fracasso na busca dos patrulheiros fora o único
tema das conversas.
- Você sabe - resmungou Mormont. - Como é que todo mundo
sabe de tudo por aqui? - não parecia esperar uma resposta. -
Parece que havia só dois... duas dessas criaturas, fossem elas o
que fossem, não os chamarei de homens. E devemos dar
graças aos deuses. Mais e... bom, não vale a pena pensar nisso.
Mas vai haver mais. Posso senti-lo nestes meus velhos ossos, e
Meistre Aemon concorda. Os ventos frios estão se erguendo. O
verão está no fim, e está para chegar um inverno como o
mundo nunca viu.
O inverno está para chegar. As palavras dos Stark nunca
tinham soado ajon tão sombrias e de mau agouro como agora,
- Senhor - perguntou, hesitante -, ouvi dizer que chegou uma
ave ontem à noite...
- Chegou. Por quê?
- Tinha esperança de que trouxesse alguma notícia de meu
pai.
"Pai", escarneceu o velho corvo, inclinando a cabeça
enquanto passeava pelos ombros de Mormont. "Pai"
O Senhor Comandante levantou a mão para lhe fechar o bico,
mas o corvo saltou para cima de sua cabeça, sacudiu as asas e
voou através do aposento para ir se empoleirar sobre uma
janela.
- Dor e ruído - resmungou Mormont. - É só para isso que
servem os corvos. Por que aguento esse pestilento pássaro...?
Se houvesse notícias de Lorde Eddard, não acha que teria
mandado te chamar? Bastardo ou não, pertence ao seu
sangue. A mensagem dizia respeito a Sor Barristan Selmy.
Parece que foi destituído da Guarda Real. Deram seu lugar
àquele cão negro Clegane, e agora Selmy é procurado por
traição. Os tontos mandaram um grupo de vigias para
capturá-lo, mas ele matou dois e escapou - Mormont bufou,
não deixando lugar a dúvidas a respeito do que pensava de
homens que mandavam guardas de mantos dourados contra
um cavaleiro de tanto renome como Barristan, o Ousado. -
Temos sombras brancas na floresta e mortos irrequietos que
caminham furtivamente pelos nossos salões, e é um rapaz que
ocupa o Trono de Ferro - disse, desgostoso.
O corvo riu estridentemente. "Rapaz, rapaz, rapaz, rapaz"
jon recordou que Sor Barristan fora a melhor esperança do
Velho Urso; se caíra, que hipótese havia de que a carta de
Mormont recebesse atenção? Fechou a mão em punho, A dor
rompeu dos dedos queimados.
- E minhas irmãs?
- A mensagem não fazia menção alguma a Lorde Eddard ou
às meninas - encolheu os ombros, irritado. - Talvez não
tenham chegado a receber minha carta. Aemon mandou duas
cópias, com as suas melhores aves, mas, quem sabe? O mais
provável é que Pycelle não tenha se dignado a responder. Não
seria nem a primeira nem a última vez. Temo que contemos
com menos que nada em Porto Real. Contam-nos o que
querem que saibamos, e isso é bem pouco.
E você me conta o que quer que eu saiba, e isso é ainda
menos, pensou Jon com ressentimento. Seu irmão Robb
convocara os vassalos e partira para o sul, para a